sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Comatose

Caminho no deserto sigiloso
Dos astros que colorem céus noturnos,
Fulgindo num rubor pernicioso
A dor dos pensamentos mais soturnos;

Visões que se convertem nas quimeras
Da tarde construída em cores frias,
Revela o aproximar das novas eras
No canto das eternas liturgias;

Eterna, tal miséria descendente
Que brilha ao estupor do sol opaco
E vento que desmancha a cor morrente
Da chama que lampeja um corpo fraco;

Num mar que perpetua as vis esfinges
Da mente revestida em psicoses,
Explana em cadavéricas vertigens
Os sonhos das profundas comatoses.

Sonolência

Em tardes de sardônica beleza
Luzindo as fragrâncias do Deus Sol,
Flutua como um frágil rouxinol
As asas que me envolvem na tristeza;

Em meio a essas cores tão vazias
Que banham e preenchem céus devassos,
Eu danço nos funéreos descompassos
Da valsa que anuncia o fim dos dias;

Mergulho nessa nuvem de vertigem
Que eleva este meu ser à torpe altura
E inunda o coração coa ânsia impura
Das cinzas que provem de sua origem;

Nos olhos em que fecham suas portas
Pro mundo interior em decadência,
A mente já se entrega à sonolência
Das veias pronde escorrem flores mortas...


8/2/07

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Nervos

No baile destas ondas luminosas
Banhando a alvorada em cor vermelha,
Apaga-se o fulgor desta centelha
Que nutre as ilusões mais dolorosas;

Nos traços das paisagens nebulosas
Da vime solidão que me permeia,
Percorre este langor na minha veia
Levando as minhas ânsias cigilosas;

Em dia que fulgura um céu dorido
Encubro-me co'o lúgubre tecido
Que veste o meu destino em negras cores;

Na mente pincelada em vãos matizes
Os nervos se transformam em raízes
Que aterram o meu ser num mar de dores.



18/1/08

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Flor de Carne

É ser das mais profundas agonias
Tingida por um mar de cores nuas
Cantando seus delírios para as luas
Que brilha como estrelas já tão frias;

Transpira e desabrocha sob as portas
Do sol que descolore folhas virgens,
Flertando pelos campos das vertigens
O céu que bruxeleia nuvens mortas;

Exala pelos ares sua essência
Na cor de seus feitiços mais devassos,
Que pintam as montanhas nos tons lassos
Das flautas em orquestras de clemência;

Abrindo as suas pétalas serenas
Pr'a brisa que perfuma jardins ralos,
Revela o desalento destes halos
Que explanam suas dores mais terrenas;

Em vez de sua face tão vistosa
Luzir em seu rubor iridescente,
Espalha num langor convalescente
As carnes que florescem desta rosa.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Anjo

Além dos horizontes mais dispersos
Deitados sob as nuvens de veludo,
Um anjo fulgurou seu canto mudo
Subindo pelos braços do universo;

Espalha negras chamas pelo vento
No ardor de sua angélica tristeza,
E chora a sua mágoa à lua acesa
Que banha a superfície em tom cinzento;

Vertigens que colorem seus olhares
No tom mais azulado da agonia
Usando o cobertor da noite fria
Pr'o alento de seus medos e pesares;

Pedindo para estrelas do oriente
Um fim pr'a sua febre dolorosa,
Que dança nessa valsa lacrimosa
Co'os sonhos que se esvaem pelo poente;

Em dores dessa aflita criatura
Prostrada no seu mar de desencanto,
Mergulha as suas asas de amianto
Num céu que se transforma em sepultura.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Despedida

Escrevo este poema em desalento
Atado no vigor dos seus enlaços,
Velando pela noite os mil pedaços
Dos sonhos espalhados pelo vento;

Tristeza que me envolve em negros braços
E afaga minha angústia em vil tormento
Tingindo o coração no tom cinzento
Do céu que perpetua enfermos traços;

Por chagas abismais que não mais curam
Os astros mais vetustos transfiguram
O fusco lamentar da mi partida;

No frio mausoléu da cor dos mangues
Apenas o esplendor das flores langues
Colorem o estupor da minha vida.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Chamas

Perfume das planícies encantadas
Ou âmbar dos recintos mais distantes,
É musa de contornos radiantes
Que alenta mi'as quimeras laceradas;

É estrela que ilumina a madrugada
Com raios de fulgor purificante,
Trazendo em seu olhar inebriante
As flores que colorem mi'a morada

Serenos são os mares de s'a fronte
Formando no meu peito um horizonte
Que vem da eternidade dos seus traços;

Em céus que resplandecem doces luas
Mergulho no fulgor das chamas suas
Ardendo no infinito dos seus braços.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Sonhos

Aos olhos d'uma estrela tão brilhante
Tingindo e salpicando o céu noturno,
Aflora o sentimento mais soturno
Dos sonhos que perecem nesse instante;

Envoltos sob o velcro taciturno
Dos olhos de tristeza inebriante,
Almejam num refúgio tão distante
A paz de seu lamento em tom saturno;

Paisagens que florescem no horizonte
Refletem o cingir do meu afronte
Por telas de morrente palidez;

Nos tons de sua mais doce melodia
O vento desfigura a chama fria
Dos sonhos que se esvaem outra vez.



27/12/07

domingo, 20 de janeiro de 2008

Asas

Nas asas que abraçam a luz do sol
Voando por recantos esquecidos,
Adentro nos encantos tão doridos
Do céu que se transforma em arrebol;

Aspiro a natureza que se aflora
Em dedos de colórea transluzência,
Ouvindo as serenatas em dormência
Dos campos pincelados pela aurora;

Por mares siderais a cintilar
Repouso os meus desejos cigilosos,
Nutrido pelos halos perfumosos
Das rosas que se banham ao luar;

Por ventos que sibila um verde laço
Na cálida e mais errática harmonia,
Contemplo a mais sublime poesia
Das terras que se estendem até o espaço.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Segredos

Nas águas qu'escorrem seus prantos eternos
Em leitos que formam essências tão puras,
Ressoa a clemência dos rubros infernos
Num céu que reflete as paisagens escuras;

Luzindo e queimando estas cores aflitas
Na fúria longíqua do ardor cintilante,
Jardins em que brotam as flores malditas
Dos frios recantos do espaço distante;

Florestas sem fim de lampejos sidéreos
Ofusca o negrume da noite tranquila,
Fulgindo estes ecos de antigos mistérios
Por mares que ondulam e céu que rutila;

Na lua qu'encobre sua face dormente
Em nuvens que alongam seus braços mortais,
Se velam nos olhos da Terra silente
Os langues segredos das terras astrais.